Dez anos depois
da Budapest Open Access Initiative:
estabelecendo o Acesso Aberto como padrão
Prólogo:
A Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste 10 anos depois
Há dez anos, a Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste (BOAI - Budapest Open
Access Initiative) desencadeou uma campanha mundial em prol do acesso aberto
(Open Access, adiante abreviado como OA) a todas as novas publicações
científicas com revisão por pares. Esta iniciativa, não inventou a ideia do OA.
Pelo contrário, procurou deliberadamente reunir projetos já existentes para
explorar como poderiam “trabalhar em conjunto para conseguir o mais amplo,
profundo e rápido sucesso”. Mas a BOAI foi a primeira iniciativa a usar o termo
“open access” para este propósito, a primeira a articular uma definição
pública, a primeira a propor estratégias complementares para atingir o OA, a
primeira a generalizar o apelo ao OA a todas as disciplinas e países, e a
primeira a ser acompanhada por financiamento significativo.
Hoje já não estamos nos primórdios desta campanha mundial, e ainda não atingimos
o seu final. Estamos firmemente a meio do percurso, e podemos basear-nos numa
década de experiência para fazermos novas recomendações para os próximos dez
anos.
Reafirmamos a “declaração de
princípios, …declaração de estratégia, e…declaração de compromisso” da BOAI.
Reafirmamos a aspiração de atingir este “bem público sem precedentes" e “a
acelerar a investigação, enriquecer a educação, partilhar a aprendizagem dos
ricos com os pobres e os dos pobres com os ricos, fazer desta literatura o mais
útil possível e lançar os fundamentos para unir a humanidade num comum diálogo
intelectual e demanda pelo conhecimento”.
Reafirmamos a nossa confiança de que “o objetivo é atingível e não apenas
desejável ou utópico”. Nada nos últimos dez anos tornou o objetivo menos
atingível. Pelo contrário, o OA está bem estabelecido e a crescer em todos os
domínios. Possuímos mais de uma década de sabedoria prática sobre como
implementar o OA. A viabilidade técnica, económica e legal do OA está bem
testada e documentada.
Nada nos últimos dez anos torna o OA menos necessário e menos oportuno. Pelo
contrário, continua a ser verdade que os “ investigadores e académicos publicam
os resultados da sua investigação em revistas científicas, sem qualquer
remuneração” e “sem expetativa de pagamento”. Além disso, normalmente os
académicos participam no processo de revisão por pares, como avaliadores e
editores científicos sem expetativa de pagamento. No entanto, com muita
frequência, as barreiras ao acesso à literatura com revisão por pares
permanecem firmemente no seu lugar, para benefício dos intermediários e não dos
autores, avaliadores ou editores científicos, e à custa da investigação, dos
investigadores e das instituições de investigação.
Finalmente, os últimos dez anos em nada sugerem que o objetivo tem menor importância
ou merece menos a pena ser atingido. Pelo contrário, o imperativo de tornar o
conhecimento disponível para todos os que o possam usar, aplicar e construir
sobre ele é mais urgente que nunca.
Reafirmamos as duas principais estratégias apresentadas na BOAI: OA através de
repositórios (também designado “OA verde”) e OA através de revistas (também
designado “OA dourado”). Dez anos de experiência levam-nos a reafirmar que o OA
verde e dourado “não são apenas
meios diretos e efetivos para este propósito, como estão ao alcance dos
próprios académicos, imediatamente, não necessitando de aguardar por mudanças operadas
pelos mercados ou pela legislação”.
Dez anos de experiência levam-nos a reafirmar a definição de OA apresentada
na BOAI original:
Por “acesso aberto” [à literatura
científica com revisão por pares], queremos dizer a sua disponibilidade livre
na Internet, permitindo a qualquer utilizador ler, fazer download, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou referenciar o
texto integral desses artigos, recolhe-los para indexação, introduzi-los como
dados em software, ou usá-los para outro qualquer fim legal, sem barreiras
financeiras, legais ou técnicas que não sejam inseparáveis do próprio acesso à
Internet. As únicas restrições de reprodução ou distribuição, e o único papel
para o copyright neste domínio,
deveria ser dar aos autores controlo sobre a integridade do seu trabalho e
direito de ser devidamente reconhecido e citado.
Os problemas que anteriormente atrasaram a adoção e implementação
do OA estão resolvidos, e as soluções estão a disseminar-se. Mas, até que o OA
se generalize mais, os problemas para os quais o OA é a solução permanecerão em
grande medida sem solução. Nesta declaração, reafirmamos os fins e os meios da
BOAI original, e voltamos a comprometer-nos a realizar progressos. Mas,
adicionalmente, definimos especificamente a nova meta de, durante os próximos
dez anos, o OA passar a ser o método normal e padrão para distribuir os novos
resultados de investigação com revisão por pares, em todos os domínios
científicos e em todos os países.
Recomendações para os próximos 10 anos
1 . Sobre políticas
1.1. Todas as instituições de ensino
superior devem ter uma política assegurando que versões com revisão por pares
de todos os futuros artigos científicos da autoria dos seus membros sejam
depositadas no repositório designado pela instituição. (Ver recomendação 3.1
sobre repositórios institucionais.)
- Os depósitos devem ser realizados tão cedo
quanto possível, de preferência no momento de aceitação para publicação, e
não após a data da publicação formal.
- As políticas universitárias devem respeitar a
liberdade dos académicos de submeter os seus trabalhos às revistas da sua
preferência.
- As políticas universitárias devem encorajar,
mas não requerer, a publicação em revistas OA, e devem ajudar os
académicos a perceber a diferença entre depositar num repositório OA e
publicar numa revista OA.
- Quando possível, as políticas universitárias
devem ser adotadas através do voto dos académicos, devem requerer OA
imediato, e devem aceitar o depósito nos repositórios de outros materiais,
mesmo quando não exigidos (por exemplo, conjuntos de dados, apresentações
em conferências, livros ou capítulos de livros, trabalhos publicados antes
da adoção da política, e assim por diante).
- Quando os editores das revistas não autorizarem
o OA nas condições preferenciais da universidade, recomendamos um de dois
caminhos. A política poderá requerer o depósito em acesso restrito no
repositório institucional até que a permissão para o OA possa ser obtida.
Ou a política pode atribuir à instituição um direito não exclusivo de
disponibilizar os futuros artigos dos académicos em OA através do
repositório institucional (com ou sem a opção dos académicos cancelarem
esta atribuição de direitos para qualquer publicação individual).
1.2. Todas as instituições de ensino
superior que oferecem pós-graduações devem possuir uma política que assegure
que as futuras teses e dissertações sejam depositadas, depois de aprovadas, no
repositório OA da instituição. A pedido dos estudantes que desejem publicar o
seu trabalho, ou obter uma patente relativa a uma descoberta patenteável, as
políticas devem conceder períodos de embargo razoáveis, em vez de isenções
permanentes.
1.3. Todas as agências financiadoras de investigação, públicas ou privadas, devem
ter uma política assegurando que versões com revisão por pares de todos os
futuros artigos reportando investigação financiada sejam depositadas num
repositório adequado e disponibilizadas em OA logo que possível.
- Os depósitos devem ser realizados tão cedo
quanto possível, de preferência no momento de aceitação para publicação, e
não após a data da publicação formal.
- Quando os editores não permitirem o OA nos
termos do financiador, as políticas dos financiadores devem exigir aos
beneficiários que procurem outro editor.
- Se as políticas dos financiadores permitirem
períodos de embargo antes de um novo trabalho passar a OA, os embargos não
devem exceder seis meses. As políticas não devem permitir quaisquer
embargos para materiais aos quais não se aplica o copyright/direitos de autor.
- Os financiadores devem considerar os custos de
publicação como custos de investigação, e devem apoiar os beneficiários a
pagar taxas de publicação razoáveis, nas revistas OA que cobrem taxas.
- Quando possível, as políticas dos financiadores
devem requerer OA livre (libre OA), preferencialmente nos termos de uma
licença CC-BY ou equivalente.
- Um repositório é adequado para este propósito
quando proporciona OA, permite interoperabilidade com outros repositórios
e toma medidas tendentes à preservação a longo prazo. A escolha do
financiador deve ser determinada por investigação corrente sobre questões
como qual a escolha que melhor promove o depósito dos artigos abrangidos,
a utilidade dos depósitos, a conveniência dos financiadores e dos autores,
e incentiva o maior crescimento futuro do OA.
1.4. Todas as políticas OA de
universidades e de financiadores devem requerer o depósito num repositório
adequado entre a data de aceitação para publicação e a data de publicação. Os
metadados devem ser depositados logo que estejam disponíveis e devem ser OA a
partir do momento do depósito. O texto integral deve ser tornado OA logo que o
repositório tenha permissão para o fazer.
1.5. Desencorajamos o uso dos fatores de impacto das revistas como indicadores
da qualidade das revistas, artigos ou autores. Encorajamos o desenvolvimento de
métricas alternativas de impacto e qualidade que sejam menos simplistas, mais
confiáveis e inteiramente abertas para uso e reutilização.
- Na medida em que universidades, agências de
financiamento e programas de avaliação de investigação necessitem de medir
o impacto de artigos individuais, devem usar métricas ao nível dos artigos,
e não métricas ao nível das revistas.
- Encorajamos a realização de investigação sobre
a precisão e exatidão das novas métricas. À medida que a investigação
demonstre a sua utilidade e confiabilidade, encorajamos o seu uso por
universidades (na avaliação para progressão académica), agências de financiamento
(na avaliação dos candidatos a financiamento), programas de avaliação de
investigação (na avaliação do impacto da investigação) e editores (na
promoção das suas revistas).
- Encorajamos o desenvolvimento de materiais para
explicar como os fatores de impacto das revistas têm sido mal utilizados,
e como métricas alternativas podem servir melhor os fins para os quais a
maioria das instituições tem usado os fatores de impacto.
- À medida que as métricas de impacto forem
melhorando, encorajamos o aprofundamento do estudo sobre se o OA e as
políticas OA aumentam o impacto da investigação.
1.6. As universidades que possuam um
repositório institucional devem exigir o depósito no repositório de todos os
artigos científicos que devam ser considerados na promoção académica, ou outras
formas de monitorização e avaliação interna.
- Da mesma
forma, os governos que realizem avaliação de investigação devem requerer o
depósito em repositórios OA de todos os artigos científicos sujeitos a
análise para efeitos de
avaliação nacional.
- Nenhuma política deve ser interpretada no
sentido de limitar outros tipos de evidência, ou de alterar os padrões de
análise.
1.7. Os editores que não disponibilizem OA devem pelo menos permiti-lo através
dos seus acordos formais de publicação.
- Os editores devem abster-se de fazer lobby contra os governos que atuam no
interesse público, e abster-se de fazer lobby contra as instituições de investigação que atuam de
acordo com os interesses dos investigadores e da investigação. Os editores
devem repudiar campanhas de lobbying
realizadas em seu nome pelas suas associações profissionais ou comerciais
contra o interesse público e o interesse dos investigadores e da investigação.
- A minoria dos editores de revistas baseadas em
assinaturas que ainda não permitem o OA verde através do depósito pelos
autores, sem pagamento ou embargo, devem adotar a posição da maioria.
- Recordamos aos autores que não necessitam de
trabalhar como autores, editores científicos ou revisores para editores
que agem contra os seus interesses.
2. Sobre o licenciamento e reutilização
2.1. Recomendamos CC-BY ou uma licença
equivalente como a licença ideal para a publicação, distribuição, uso e reutilização
de trabalho académico.
- Os repositórios OA dependem geralmente de
permissões de terceiros, como autores ou editores, e raramente estão em
posição de requerer licenças abertas. No entanto, os decisores políticos
que estejam em posição de direcionar depósitos nos repositórios devem
exigir, quando possam, licenças abertas, preferencialmente CC-BY.
- As revistas OA podem exigir sempre licenças
abertas, e no entanto a maioria ainda não aproveita dessa oportunidade. Recomendamos
CC-BY para todas as revistas.
- No desenvolvimento da estratégia e
estabelecimento de prioridades, reconhecemos que o acesso grátis (gratis
OA) é melhor que o acesso pago, que
o acesso livre é melhor que o acesso grátis, e que livre de acordo com
CC-BY ou equivalente é melhor que livre sob licenças abertas mais
restritivas. Devemos atingir o que for possível quando for possível. Não
devemos adiar a obtenção de grátis para conseguir o livre, e não nos devemos
deter no grátis quando podemos obter o livre.
3. Sobre a infraestrutura e sustentabilidade
3.1. Todas as instituições de ensino
superior devem ter um repositório OA, participar num repositório de consórcio,
ou providenciar por serviços externos de repositório OA.
3.2. Todos os investigadores e académicos em qualquer disciplina ou país,
incluindo os que não pertençam a instituições de ensino superior, devem ter
permissões de depósito num repositório OA.
- Isto irá requerer mais repositórios
institucionais ou mais repositórios disciplinares, ou ambos. Poderá também
requerer, pelo menos no curto prazo, mais repositórios universais ou de
último recurso para os investigadores que não tenham um repositório OA na
sua instituição ou disciplina. O texto da interface nestes repositórios
universais deve estar disponível em vários idiomas.
3.3. Os repositórios OA devem possuir os
meios para recolher de, e re-depositar em, outros repositórios OA.
- Os investigadores que tenham razões para
depositar em mais do que um repositório devem apenas ter de depositar uma
vez. Quando possível, os repositórios institucionais devem oferecer
serviços para re-depositar artigos em repositórios disciplinares solicitados
pelos autores (por exemplo, arXiv, PubMed Central, SSRN), e devem recolher
ou fazer download de cópias das
publicações dos académicos depositadas em repositórios disciplinares.
3.4. Os repositórios OA devem
disponibilizar aos seus autores dados de downloads,
uso e citações, e tornar esses dados disponíveis para as ferramentas que
calculem as métricas de impacto alternativas. Os editores de revistas devem
fazer o mesmo, independentemente das suas revistas serem ou não OA.
- Os repositórios devem partilhar estes dados
entre si em formatos normalizados, tornando possível (por exemplo) que os
autores conheçam o número total de downloads
de um artigo depositado em múltiplos repositórios. Nenhum autor e nenhum
repositório deverá ter interesse em bloquear o depósito em repositórios
adicionais simplesmente para preservar uma medida exata do tráfego.
3.5. As universidades e agências de
financiamento devem apoiar os autores a pagar taxas de publicação razoáveis nas
revistas OA que cobrem taxas, e encontrar formas comparáveis de apoiar ou subsidiar
revistas OA que não cobram taxas.
- Em ambos os casos, devem requerer OA livre de
acordo com licenças abertas, preferencialmente licenças CC-BY ou
equivalentes, como condição para o seu apoio financeiro.
- O apoio, pelas vias referidas, a revistas OA
com revisão por pares deve ser a principal prioridade de qualquer dinheiro
poupado no cancelamento ou conversão de revistas com assinatura.
- O apoio a revistas OA com revisão por pares
pode ser particularmente importante para as revistas com audiência mais
limitada, como revistas com foco no direito nacional em países pequenos ou
revistas publicadas num idioma local, e para revistas relativamente às
quais as taxas de publicação sejam inapropriadas, como as revistas de
revisão que solicitam aos autores artigos de revisão.
3.6. As revistas baseadas em assinaturas
ou não OA que permitam qualquer tipo de auto-arquivo ou depósito em
repositórios OA, devem descrever o que autorizam de uma forma precisa em termos
legíveis por pessoas e por máquinas, de acordo com um padrão aberto. Estas
descrições devem incluir pelo menos a versão que pode ser depositada, o prazo
de depósito, e as licenças que podem ser associadas às versões depositadas.
3.7. Os repositórios OA devem proporcionar ferramentas, já existentes de forma
gratuita, para converter os depósitos realizados em PDF em formatos legíveis
por máquina como o XML.
3.8. As instituições de investigação, incluindo os financiadores, devem apoiar
o desenvolvimento de manutenção das ferramentas, diretórios e recursos
essenciais para o progresso e sustentabilidade do OA.
- A lista das ferramentas essenciais evoluirá ao
longo do tempo, mas inclui repositórios e revistas OA, software livre e de
código aberto para repositórios, software livre e de código aberto para
gestão de revistas, ferramentas para mineração de dados e texto,
diretórios de revistas e repositórios OA, diretórios de políticas de
instituições e financiadores, fornecedores de licenças abertas, serviços
de preservação digital, serviços de alerta, serviços de referência cruzada
e URLs persistentes, e motores de busca.
- As instituições de investigação devem também
apoiar o estabelecimento de padrões mundiais abertos para metadados e pesquisa
que os editores e repositórios possam implementar para tornar as
publicações OA mais visíveis, recuperáveis e úteis.
3.9. Devemos melhorar e aplicar as
ferramentas necessárias para recolher as referências ou citações da literatura
publicada. Os factos acerca de quem citou quem estão no domínio público, e
devem ser OA em formatos normalizados para uso, reutilização e análise. Isto
ajudará os investigadores e instituições de investigação a conhecer a
literatura existente, mesmo que não tenham acesso a ela, e a desenvolver novas
métricas para o acesso e impacto.
- Apelamos a todos os editores a cooperar neste
esforço.
- Recomendamos o desenvolvimento de infraestruturas
onde os dados das referências bibliográficas possam ser depositados por
editores, autores, voluntários, outros empreendedores, ou software e onde
esses dados possam ser acolhidos para distribuição em OA.
3.10. Devemos ajudar na recolha,
organização e disseminação de metadados OA em formatos normalizados para todas
as publicações, novas ou antigas, incluindo as publicações não OA.
3.11. Os editores de publicações
científicas necessitam de infraestruturas para referência cruzada e URLs
persistentes baseados em padrões abertos, disponíveis gratuitamente, e
permitindo ligações e atribuição a níveis arbitrários de granularidades, como
parágrafo, imagem e verificação da identidade da fonte.
3.12. Encorajamos a continuação do desenvolvimento de normas abertas para a
interoperabilidade e ferramentas para implementar essas normas em revistas e repositórios
OA.
3.13. Encorajamos a experimentação com diferentes métodos de revisão
pós-publicação e investigação relativamente à sua eficácia.
- OA através de repositórios, OA através de
revistas e OA através de livros são todos compatíveis com qualquer tipo de
tradicional revisão por pares pré-publicação e o OA não pressupõe qualquer
forma particular de revisão por pares. Recomendamos experiências com
revisão por pares pós-publicação não porque será superior, embora o possa
ser, mas porque reduzirá o prazo para que os novos trabalhos se tornem OA
e poderá reduzir o custo da cópia inicial.
3.14. Encorajamos a experimentação com
novas formas de “artigo” e “livro” científicos, nos quais os textos estão
integrados de formas úteis com os dados em que se baseiam, elementos
multimédia, código executável, literatura relacionada e comentários dos
utilizadores.
- Encorajamos a experimentação no sentido de
aproveitar melhor o meio digital, e as redes digitais, para benefício da
investigação.
- Encorajamos a experimentação no sentido de
aproveitar melhor as formas através das quais o OA remove as barreiras de
acesso a máquinas e não apenas a leitores humanos.
- Encorajamos o uso de normas e formatos abertos para
promover esses usos e a investigação sobre a sua eficácia.
4. Sobre promoção e coordenação
4.1. Devemos fazer mais para consciencializar
os editores de revistas, os editores científicos, revisores e investigadores
dos padrões de conduta profissional para publicação em OA, por exemplo quanto
ao licenciamento, processo editorial, apelo à submissão de artigos, revelação
de propriedade e gestão de taxas de publicação. Os editores científicos,
revisores e investigadores devem avaliar as oportunidades de envolvimento com
editores de revistas na base destes padrões de conduta profissional. Quando os
editores não estiverem a agir de acordo com esses padrões devemos ajudá-los a
melhorar, como um primeiro passo.
- Como forma de avaliar um editores ou revistas
OA novas ou desconhecidas, recomendamos que os investigadores consultem a
associação de editores de acesso aberto (OASPA - Open Access Scholarly
Publishers Association) e o seu código de conduta. Queixas sobre editores
membros da OASPA ou sugestões de melhoria do código de conduta devem ser
enviados para a OASPA.
- Encorajamos todos os editores OA e as revistas
OA a aplicar as boas práticas recomendadas pela OASPA ou a procurar
tornar-se membro da associação, o que implicará uma análise das suas
práticas e oferecerá uma oportunidade para corrigi-las se necessário.
4.2. Devemos desenvolver diretrizes para
universidades e agências de financiamento que estejam a considerar a definição
de políticas OA, incluindo os termos recomendados para as políticas, boas
práticas e respostas a perguntas a questões frequentes.
4.3. Encorajamos o desenvolvimento de um recurso global onde seja fácil seguir
o progresso do OA através dos números e gráficos mais relevantes. Cada unidade
de informação deve ser atualizada regularmente e a sua proveniência ou método
de cálculo claramente indicada.
4.4. A comunidade OA deve agir mais frequentemente de modo concertado. Sempre
que possível, as organizações e ativistas OA devem procurar formas de coordenar
as suas atividades e comunicações no sentido de utilizar melhor os seus
recursos, minimizar a duplicação de esforços, reforçar a mensagem e demonstrar
coesão.
- Devemos criar melhores mecanismos para
comunicarmos e coordenarmos uns com os outros.
- Devemos comunicar com os nossos colegas
académicos, a imprensa académica e imprensa não académica mainstream. Os media académicos e
não-académicos estão mais informados, e mais interessados, no OA do que
nunca. Isto é uma oportunidade para ajudar a educar todas as partes interessadas
acerca do OA e das novas propostas para o desenvolver.
4.5. A campanha mundial pelo OA aos
artigos científicos deve trabalhar em maior proximidade com a campanha mundial
pelo OA aos livros, teses e dissertações, dados científicos, dados governamentais,
recursos educativos e código-fonte.
- Devemos coordenar com esforços afins menos
diretamente relacionados com o acesso aos resultados da investigação, como
a reforma dos direitos de autor, obras órfãs, preservação digital,
digitalização de literatura impressa, decisão política baseada em
evidências, a liberdade de expressão e a evolução de bibliotecas,
publicação, revisão por pares e medias sociais.
- Devemos procurar formas de amplificar as nossas
diferentes vozes quando defendemos princípios comuns.
4.6. Precisamos de afirmar mais
claramente, com mais evidências e a mais grupos de interessados, as seguintes
verdades sobre o OA:
- O OA beneficia a investigação e os
investigadores, e sua a falta prejudica-os.
- O OA à investigação financiada com recursos
públicos beneficia os contribuintes e aumenta o retorno do seu
investimento na investigação. Existem benefícios económicos bem como
benefícios académicos e científicos.
- O OA amplifica o valor social da investigação,
e as políticas OA amplificam o valor social das agências de financiamento
e das instituições de investigação.
- Os custos do OA podem ser suportados sem
adicionar mais dinheiro ao atual sistema de comunicação científica.
- O OA é consistente com as leis de direitos de
autor em qualquer parte do mundo, e concede quer aos autores quer aos
leitores mais diretos do que os que possuem no âmbito dos acordos de
publicação convencionais.
- O OA é consistente com os mais elevados padrões
de qualidade.
Tradução
realizada pelo Gabinete de Projetos Open Access dos Serviços de Documentação da
Universidade do Minho
Portuguese
translation by Open Access Projects Office of Minho University Documentation
Services